Você

7.3.13


Eu sempre fui do tipo de garota que se apaixona. Antes dos cinco, não me imaginava sem minha boneca. Não era qualquer boneca, era a minha. A única. Tinha cheiro de alguma coisa, que nada mais no mundo tinha. Ela me entendia, e era mais que minha boneca era minha melhor amiga. Minha companhia de quando minha mãe dizia não, ou quando me obrigava a dizer sim. Mas, eu tive que doar, ela me deixou. Não lembro.
Depois de algum tempo conheci o Guilio, o idiota do sorriso mais bonito do mundo. Estou falando a verdade, eu não era a única que achava, a sala toda, até a professora. Eu o amava, e gastava seu nome em meu caderno. Ele não sabia, era secreto. Ok, eu cometi um erro. Contei. Ele nunca mais falou comigo. Perdi um amor por tentar conquistá-lo. Mas, aprendi que algumas coisas não devem ser ditas, e nem mandadas dizer (se é que você me entende).  Coisas desse tipo devem ser engolidas, até a digestão terminar. Até nascer a fome de novo, até o tempo passar.
As coisas costumavam a me deixar, até eu fazer isso pela primeira vez.
Aconteceu outro fato no início da minha adolescência. Esse foi diferente de tudo que eu imaginava, um início de uma amizade e o termino de um amor em vão. Acredite, quando se deixa alguém uma vez, isso acaba se tornando viciante. Vieram dezenas de outros caras, que sinceramente não merecem ter seus nomes nesse texto. Não conseguiram manter meu coração acelerado por muito tempo. Pisavam sempre no freio na segunda ou terceiro semana. Péssimos motoristas.
Morro de medo que as pessoas pensem que eu não presto, e que não entendam que minhas necessidades não são físicas.  Eu não sou a puta do ensino médio que já ficou com todos os alunos da escola. Eu apenas necessito de adrenalina, e de alguém que realmente saiba dirigir um carro.  Com velocidade, sem bater, sem frear.
Tenho apenas quinze anos um nome comum, um olhar distante e alguns desejos. Não era nem alto nem baixa, não tenho cabelos escorridos e olhos azuis, mas eu era diferente de todas as outras. Não escrevia surpreendentemente bem, nem sabia cozinhar muito bem , não tinha uma voz que surpreende-se e não tocava violão, tinha medo de escuro e vontade de voar para bem longe. Onde ninguém pudesse encontrar de uma forma ou de outra vivia a me acorrentar no medo de amar. Talvez de se abrigar e não conseguir se libertar de ser livre e sonhar além do imaginar. Costumo a falar coisas que sei que não posso fazer, costumo a sentir coisas que sei que não posso dizer, enlouquecer e me afastar ou esquecer e me enganar? Eu não queria permanecer nessa duvida. Eu tenho que fazer escolhas, tudo as vezes parece tão mais fácil quando é no filme ou no livro. Porque eu não consigo agir? Relembro-me de quando eu ainda era pequena, e tinha os meus próprios planos? tudo parecia tão fácil, mas sei que já não é bem assim. Os corações se quebram, os olhares se perdem, os cheiros se espalham pelo ar, os sorrisos são cada vez mais raros… mais raros. E o se decepcionar se torna algo de rotina, e o se surpreender algo indescartável. Eu poderia contar todos os meus segredos, falar dos meus medos e dos meus desejos, mas prefiro deixar tudo subentendido. Jamais será entendido.
Depois de ver como as coisas funcionam, criei o meu próprio mundo. Meus pensamentos correm livre pela minha mente, mas não saem pela minha boca.
é uma espécie de limitação, que coloquei em mim mesma. Talvez assim, eu consiga ser menos sensível, menos Ingênua e não parecer tão inocente.


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